A hegemonia brasileira no mercado global de frango

O Brasil exporta frango para mais de 150 países e lidera o ranking mundial de exportações há mais de quinze anos consecutivos. Em 2025, os embarques superaram 5,3 milhões de toneladas — equivalente a mais de R$ 60 bilhões em divisas para o país. Essa posição é resultado de décadas de investimento em genética, sanidade animal, escala de produção e logística de exportação.

Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul concentram a maior parte da produção e das plantas de abate, com empresas como BRF, JBS, Aurora Coop e Seara dominando o processamento. O modelo de integração vertical — onde a agroindústria fornece pintos, ração e assistência técnica para avicultores que criam os frangos — é ainda mais consolidado que na suinocultura, respondendo por mais de 90% da produção nacional.

Exportações em 2026: novos mercados e diversificação

O Oriente Médio e a Ásia são os dois maiores blocos compradores de frango brasileiro, com destaque para a Arábia Saudita, Emirados Árabes, Japão e China. Em 2026, um fato novo marcou o mercado: a abertura do mercado mexicano para o frango brasileiro, após longo processo de habilitação sanitária, criou uma nova rota de exportação para a América do Norte que pode se tornar relevante nos próximos anos.

A Rússia, que foi um dos maiores compradores históricos de frango brasileiro, reduziu as importações com o desenvolvimento da produção interna após 2014. Mas países da África subsaariana — especialmente África do Sul, Ghana e Angola — crescem como destinos alternativos, absorvendo cortes de menor valor que não têm demanda equivalente nos mercados asiáticos.

Principais destinos de exportação (2025)

Preço do frango vivo e custo de produção em 2026

O preço do frango vivo ao avicultor integrado em Santa Catarina está em R$ 5,80 por quilo em março de 2026 — nível que representa recuperação em relação ao período 2022-2024, quando os custos de ração elevados comprimiram as margens a zero ou negativo para muitos integrados.

O custo de produção de um frango de 2,8 kg (peso médio de abate) em sistema integrado eficiente está em torno de R$ 14,50 a R$ 16,00 por ave, incluindo o custo do pinto, da ração, da energia e da mão de obra. Com o preço por quilo vivo a R$ 5,80 e peso de 2,8 kg, a receita bruta por ave é de R$ 16,24 — margem positiva estreita que melhora conforme a conversão alimentar do lote.

No frango, a eficiência de conversão alimentar define quem ganha e quem perde. Um lote com CA de 1,75 e outro com CA de 1,95 têm custo por ave diferente em R$ 2,80 — na escala de 100.000 aves, são R$ 280.000 de diferença em um único lote.

Sanidade animal: o passaporte para os melhores mercados

O status sanitário do Brasil em relação à influenza aviária (gripe das aves) é um dos ativos mais valiosos do setor. Enquanto países como EUA, França e Polônia sofreram surtos devastadores em 2022-2024 que destruíram plantéis e fecharam mercados, o Brasil manteve o status de livre da doença — o que permitiu avançar em mercados onde os concorrentes foram vetados temporariamente.

A manutenção desse status exige vigilância sanitária permanente, especialmente nas regiões de fronteira com países de maior risco e nas áreas de migração de aves silvestres. O MAPA investe em rastreamento de casos suspeitos e em protocolos de biosseguridade que são referência mundial para o setor de avicultura intensiva.

Perspectivas para 2026 e além

O setor avícola brasileiro entra em 2026 com condições favoráveis: custo de ração em queda, mercados de exportação diversificados e novos destinos em abertura. O principal risco é a aparição de influenza aviária em território nacional — evento que, mesmo localizado, pode levar ao fechamento temporário de mercados importadores e destruir meses de trabalho diplomático sanitário.

Do lado positivo, o crescimento do consumo de proteína animal nos países em desenvolvimento — especialmente na África e no Sudeste Asiático — cria demanda de longo prazo que o Brasil está bem posicionado para atender. O frango é a proteína animal de menor custo e de conversão alimentar mais eficiente, o que o torna o principal beneficiário do crescimento da classe média global.