Cotação do boi gordo nas principais praças

A arroba do boi gordo opera em 2025 em patamares historicamente elevados, sustentada por exportações recordes e por uma liquidação de fêmeas que reduziu a oferta de animais terminados em algumas regiões. O mercado sinaliza firmeza no curto prazo, com perspectivas de ajuste no segundo semestre conforme o ciclo pecuário evolui.

Os preços variam significativamente entre regiões, refletindo diferenças em disponibilidade de animais, demanda dos frigoríficos locais e acesso a mercados de exportação. Barretos, no interior paulista, é a praça de referência nacional:

Fatores que sustentam o preço da arroba em 2025

A alta do boi gordo nos últimos 12 meses reflete uma combinação de fatores pelo lado da oferta e da demanda. Do lado da oferta, a liquidação de fêmeas durante o período de margens apertadas reduziu temporariamente a disponibilidade de animais terminados. Esse efeito, típico do ciclo pecuário brasileiro, cria escassez de curto prazo que sustenta os preços.

Do lado da demanda, as exportações brasileiras de carne bovina atingiram recordes consecutivos. A China mantém compras elevadas, e novos mercados no Oriente Médio, Japão e Coreia do Sul têm absorvido volumes crescentes. O Brasil exportou o equivalente a 2,7 milhões de toneladas de carne bovina em 2024 — em termos de valor, mais de US$ 9 bilhões.

O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo. Cada embargo sanitário ou exigência de rastreabilidade em mercados externos afeta diretamente o preço pago ao pecuarista.

O ciclo pecuário e o que vem pela frente

A pecuária bovina opera em ciclos de aproximadamente 4 a 6 anos entre expansão e liquidação de rebanho. O Brasil está saindo de uma fase de liquidação — que reduziu o rebanho feminino disponível — e entrando em uma fase de retenção e expansão. Isso significa que, nos próximos 2 a 3 anos, a oferta de animais terminados deve crescer progressivamente, exercendo pressão baixista sobre os preços.

No curto prazo, porém, a demanda de exportação pode mais do que compensar esse aumento de oferta. Frigoríficos brasileiros com habilitação para exportar à China, UE, EUA e Japão estão com plantas operando próximo da capacidade máxima — o que mantém a disputa por animais e sustenta as cotações.

Exportações: quem compra a carne brasileira

A China é o maior importador da carne bovina brasileira, respondendo por aproximadamente 45% das exportações em volume. Hong Kong, que funciona como porta de entrada para parte do mercado chinês continental, adiciona outros 8%. O Oriente Médio — especialmente Egito, Emirados e Arábia Saudita — é o segundo maior destino, com crescimento consistente impulsionado pelo aumento do consumo de proteína animal na região.

A União Europeia, apesar das barreiras fitossanitárias e de sustentabilidade mais rígidas, continua sendo um mercado relevante, especialmente para cortes de maior valor agregado. O acordo Mercosul–UE, quando ratificado, pode abrir espaço para crescimento das exportações brasileiras com cotas mais favoráveis.

Rastreabilidade e sustentabilidade: o custo e o benefício

O acesso aos melhores mercados de exportação exige rastreabilidade bovina individual e comprovação de que a carne não tem origem em áreas de desmatamento. O SISBOV — sistema brasileiro de rastreabilidade — e os protocolos privados exigidos por grandes redes varejistas europeias são requisitos crescentes.

O custo da rastreabilidade é real — estimado em R$ 3 a R$ 7 por cabeça dependendo da escala — mas os benefícios em termos de acesso a mercados premium compensam para produtores organizados. Fazendas que não podem comprovar a origem de seus animais ficam restritas ao mercado doméstico, com preços sistematicamente menores.