Por que o sorgo cresce no Brasil
O sorgo (Sorghum bicolor) plantado no Brasil avançou de 700.000 hectares em 2015 para mais de 2,5 milhões em 2026 — crescimento de 250% em uma década. Os motores desse crescimento são: expansão como segunda safra (safrinha) em substituição ao milho em regiões com janela climática mais curta, demanda crescente como ração animal em substituição parcial ao milho, e desenvolvimento de variedades de sorgo sacarino para produção de etanol de 2ª geração.
Tipos de sorgo e suas finalidades
- Sorgo granífero: cultivado para o grão, usado como ração animal (substitui o milho na proporção de até 30% sem perda de desempenho zootécnico). É o tipo de maior área no Brasil.
- Sorgo forrageiro: plantas de grande porte (2 a 4 metros), cultivado para silagem. Produtividade de 40 a 80 t/ha de massa verde — equivalente ao milho silagem mas com maior tolerância à seca.
- Sorgo sacarino: colmos ricos em açúcar, cultivado para produção de etanol. Em fase de expansão no Centro-Oeste como complemento à cana-de-açúcar nas entressafras.
- Sorgo vassoura: cultivado para a indústria de vassouras e artesanato — mercado de nicho mas com bom valor agregado.
Época de plantio
O sorgo tem maior tolerância ao calor e à seca que o milho — o que o torna ideal para plantio após a janela ideal do milho safrinha:
- Safrinha no Centro-Oeste: fevereiro a março (até 20 de março no Mato Grosso)
- Safrinha no Paraná e São Paulo: fevereiro a março
- Nordeste (período chuvoso): fevereiro a abril
- Safra das águas: outubro a novembro em todo o Brasil
Densidade de plantio e espaçamento
- Sorgo granífero: 120.000 a 160.000 plantas/ha; espaçamento de 45 a 50 cm entre fileiras; 8 a 12 sementes por metro linear
- Sorgo forrageiro: 150.000 a 200.000 plantas/ha; espaçamento de 50 a 70 cm; 10 a 15 sementes/m
- Sorgo sacarino: 80.000 a 100.000 plantas/ha; espaçamento de 70 a 90 cm; 6 a 8 sementes/m
Adubação de base e cobertura
O sorgo é menos exigente em fertilidade do que o milho — o que é uma de suas vantagens em solos de menor fertilidade na safrinha. Adubação de base típica: 200 a 300 kg/ha de NPK (4-20-20 ou similar), aplicados no sulco de plantio. Cobertura com 60 a 80 kg/ha de nitrogênio (ureia) dividida em duas aplicações: aos 20 e 40 dias após a emergência.
Produtividade esperada
- Sorgo granífero safrinha (Centro-Oeste): 50 a 80 sc/ha (3.000 a 4.800 kg/ha) — produtividade menor que o milho safrinha, mas com custo de produção 20 a 30% menor
- Sorgo forrageiro silagem: 40 a 80 t/ha de massa verde (dependendo da variedade e da pluviosidade)
O sorgo granífero substitui o milho na ração?
Sim, parcialmente. O sorgo granífero tem valor energético de 95 a 98% do milho (menor teor de amido, ligeiramente maior de proteína bruta). Pode substituir o milho na ração de bovinos, suínos e aves em até 30% sem ajuste de formulação, e em proporções maiores com ajuste nutricional. A limitação é o tanino presente em algumas variedades, que reduz a palatabilidade em aves — use variedades de baixo tanino para avicultura.