O amendoim brasileiro e sua posição global

O Brasil é o quarto maior exportador mundial de amendoim, com produção concentrada no estado de São Paulo — especialmente nas regiões de Tupã, Marília, Assis e Ourinhos. Em 2026, a produção nacional estimada é de 620.000 toneladas, com área plantada de aproximadamente 110.000 hectares. A colheita ocorre em duas épocas: a safra das águas (janeiro a março) e a safra da seca (junho a agosto), ambas concentradas no interior paulista.

O amendoim tem uma característica de mercado que o diferencia de outras oleaginosas: sua demanda é dividida entre o consumo humano direto (amendoim torrado, pasta de amendoim, paçoca) e o processamento industrial (óleo de amendoim, farelo proteico). Em 2026, o crescimento do mercado de snacks proteicos e das pastas naturais de amendoim — impulsionado pela conscientização sobre saúde e pela busca de proteínas vegetais — é o principal vetor de valorização do produto.

Cotação e mercado do amendoim em 2026

O amendoim em casca é negociado nas praças paulistas na faixa de R$ 3.000 a R$ 3.400 por tonelada em março de 2026. O amendoim descascado (em grão) opera entre R$ 5.200 e R$ 5.800 por tonelada — diferencial que reflete o processo de beneficiamento. Para exportação, o amendoim confeccionado (selecionado, calibrado e embalado) é vendido entre US$ 1.100 e US$ 1.400 por tonelada FOB Santos.

Os principais mercados de exportação são: Europa (especialmente Países Baixos e Alemanha, que importam para reexportação), Rússia (apesar das sanções, o fluxo de amendoim mantém-se via intermediários), Oriente Médio e países africanos. O mercado europeu é o mais exigente em qualidade — especialmente em relação a aflatoxinas (fungos que contaminam o amendoim em condições de armazenagem inadequada) — e paga prêmio para lotes com certificação de qualidade e rastreabilidade.

Custo de produção e rentabilidade

O custo de produção do amendoim em São Paulo está estimado entre R$ 1.800 e R$ 2.400 por tonelada, dependendo da produtividade (que varia de 2,5 a 4,5 t/ha) e dos gastos com defensivos. O amendoim é uma cultura de manejo relativamente intensivo em fungicidas — a prevenção de cercósporas e ferrugem é essencial para manter a produtividade e a qualidade do grão.

Com o preço de mercado acima de R$ 3.000/t e custo de produção médio em torno de R$ 2.100/t, a margem está positiva — estimada em R$ 2.700 a R$ 4.500 por hectare dependendo da produtividade. Para produtores que processam o próprio amendoim — tostando, embalando e vendendo diretamente para varejo ou e-commerce — a margem por tonelada pode triplicar.

A pasta de amendoim que custa R$ 25 no supermercado contém aproximadamente 350g — equivalente a R$ 71 por quilo. O amendoim em casca que originou esse produto custou R$ 3,20 por quilo. A diferença é marca, processamento e distribuição.

O boom da pasta de amendoim e dos snacks proteicos

O mercado de pasta de amendoim no Brasil cresceu mais de 200% entre 2018 e 2025, impulsionado inicialmente pelos praticantes de musculação e academia que adotaram a pasta como fonte de proteína acessível, e progressivamente por consumidores mainstream que substituíram a margarina e a geleia pela pasta no café da manhã. Em 2026, mais de 150 marcas de pasta de amendoim estão registradas no Brasil — desde as industriais (Dr. Oetker, Amendocrem) até as artesanais vendidas em feiras e e-commerce.

O crescimento do mercado de snacks proteicos — barras de amendoim, amendoim coberto com chocolate amargo, mix de nuts — é outro vetor de demanda. O consumidor brasileiro que antes comia chips ou salgados industrializados migra progressivamente para snacks com perfil nutricional melhor — e o amendoim, com 26% de proteína e preço acessível, é o ingrediente central dessa transição.

Aflatoxinas: o gargalo sanitário para exportação

O principal desafio técnico na cadeia do amendoim para exportação é o controle de aflatoxinas — toxinas produzidas pelos fungos Aspergillus flavus e A. parasiticus em amendoins armazenados em condições de umidade e temperatura inadequadas. A União Europeia tem os limites mais restritivos do mundo — 4 ppb de aflatoxina B1 e 10 ppb de aflatoxinas totais — o que exige colheita no ponto correto de maturidade, secagem imediata até 8% de umidade e armazenagem em condições controladas.

Lotes com aflatoxina acima do limite europeu são rejeitados nos portos e podem resultar em embargo sanitário de toda uma safra ou origem. O investimento em infraestrutura de pós-colheita — secadores, silos climatizados e sistemas de monitoramento de temperatura e umidade — é o que separa produtores e processadores que exportam para mercados premium daqueles limitados ao mercado doméstico.