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Calculadora de adubação NPK a partir da análise de solo

Atualizado em setembro de 2026Redação AgroNegócio Web

A dose de adubo não se define pela cultura, e sim pelo que o solo já entrega. Esta calculadora parte dos teores de P e K do laudo, aplica as tabelas de resposta usadas nas recomendações regionais e converte o resultado na quantidade real de formulado que precisa entrar no sulco.

Preencha com os dados da sua situação

Os valores padrão são exemplos de referência. Substitua por dados da sua propriedade — laudo de solo, catálogo do equipamento, preços praticados na sua região.

Como o cálculo é feito

A recomendação segue a lógica de três etapas usada nos boletins oficiais de recomendação (Comissão de Fertilidade do Solo do RS/SC, 5ª Aproximação de Minas Gerais e recomendações da Embrapa para o Cerrado):

  1. Classificar o teor do solo. O mesmo valor de fósforo significa coisas diferentes conforme a textura. Em solo arenoso, 8 mg/dm³ de P é teor baixo; em solo muito argiloso, o mesmo número já é considerado alto, porque o poder tampão é maior e a análise extrai proporcionalmente menos.
  2. Definir a dose de correção e manutenção. Solo de teor baixo recebe dose de construção (mais do que a planta exporta). Solo de teor alto recebe apenas reposição da exportação.
  3. Converter nutriente em adubo. A recomendação sai em kg/ha de N, P2O5 e K2O. Para saber quantos quilos do formulado aplicar, divide-se cada nutriente pelo seu teor percentual.

Limites de classificação usados nesta calculadora

Estes são exatamente os cortes aplicados pelo cálculo, em mg/dm³ de fósforo pelo extrator Mehlich-1. Publicamos para você conferir contra a recomendação da sua região, que pode adotar faixas diferentes.

Teor de argilaMuito baixoBaixoMédioAltoMuito alto
Menos de 15%< 66 a 1212 a 2020 a 30> 30
15 a 35%< 55 a 1010 a 1616 a 24> 24
35 a 60%< 33 a 66 a 1010 a 15> 15
Mais de 60%< 22 a 44 a 77 a 10> 10

Para potássio, os cortes são fixos e não dependem da textura: menos de 25 mg/dm³ é muito baixo, 25 a 50 baixo, 50 a 80 médio, 80 a 120 alto e acima de 120 muito alto.

A conta de conversão, na mão

Se a recomendação é 80 kg/ha de P2O5 e o adubo é 08-28-16, então: 80 ÷ 0,28 = 286 kg/ha do formulado. Nessa dose, entram junto 23 kg de N (286 × 0,08) e 46 kg de K2O (286 × 0,16). Se a recomendação de potássio era 80 kg/ha, faltam 34 kg — que saem de 57 kg/ha de cloreto de potássio (60% de K2O).

Formulado quase nunca fecha os três nutrientes. Escolher a dose pelo nutriente mais exigente gera excesso dos outros dois; escolher pelo menos exigente deixa a lavoura com fome. O caminho eficiente é definir a dose pelo fósforo (que é imóvel e precisa ir no sulco) e completar nitrogênio e potássio com fontes isoladas em cobertura.

Sem laudo de solo, o cálculo não vale

A amostragem custa entre R$ 40 e R$ 90 por amostra composta e é o investimento de maior retorno da lavoura. Colete 15 a 20 subamostras em ziguezague por talhão homogêneo, na profundidade de 0 a 20 cm para lavoura anual e 0 a 10 cm para pastagem estabelecida. Homogeneíze, retire cerca de 500 g e envie a laboratório integrante de rede de qualidade analítica.

Reamostre a cada dois anos em sistemas de alta produtividade e a cada três em sistemas extensivos. Em plantio direto consolidado, amostre também de 20 a 40 cm a cada três anos para acompanhar a frente de acidez em profundidade.

Os valores citados nesta página são referências de mercado de setembro de 2026 e servem para dar ordem de grandeza. Preço de máquina, insumo e commodity muda por região e por época — cote antes de decidir.

Perguntas frequentes

Posso usar a mesma dose de NPK todo ano?

Não, e é o erro mais caro da adubação. Quando o solo é corrigido, o teor de fósforo sobe e a dose necessária cai. Repetir a mesma dose por cinco anos em solo já corrigido significa aplicar fósforo que a planta não usa e que fica retido no solo — dinheiro parado. Refaça a análise a cada dois anos e ajuste.

Qual a diferença entre P e P2O5?

O laudo informa fósforo elementar (P) em mg/dm³; a recomendação e o rótulo do adubo usam pentóxido de fósforo (P2O5). A conversão é P2O5 = P × 2,29. O mesmo vale para potássio: K2O = K × 1,2.

Adubação a lanço substitui a adubação no sulco?

Para potássio e nitrogênio, sim, com pouca perda de eficiência em solos com teor médio ou alto. Para fósforo, não: o P é imóvel no solo e precisa estar próximo da raiz jovem. Fósforo a lanço só funciona em solos já corrigidos, com teor alto, e ainda assim exige dose 20 a 30% maior.

O que fazer se o solo tiver teor muito alto de fósforo?

Aplicar apenas a reposição da exportação — cerca de 15 kg de P2O5 por tonelada de grão de soja colhida. Em alguns casos é possível pular uma safra de fósforo e economizar todo o custo da fonte fosfatada, desde que a análise seja refeita na safra seguinte.

Leia também

Referências e métodoMetodologia baseada nas recomendações da Comissão de Química e Fertilidade do Solo (RS/SC), na 5ª Aproximação de Recomendações para Uso de Corretivos e Fertilizantes em Minas Gerais e em boletins técnicos da Embrapa Cerrados. As faixas de classificação variam por região e laboratório — confirme com o agrônomo responsável pela sua propriedade.

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