Cotação do milho nas principais praças
O milho negocia em patamares muito diferentes da euforia de 2022, quando a saca chegou a R$ 110 em algumas regiões do Brasil. A normalização dos preços após o ciclo inflacionário de commodities pós-pandemia levou a cotação a um equilíbrio próximo ao custo de produção médio, comprimindo as margens dos produtores que não travaram preços com antecedência.
| Praça | Preço (R$/sc 60kg) | Variação semanal |
|---|---|---|
| Sorriso – MT | R$ 64,00 | ▼ −0,8% |
| Campo Grande – MS | R$ 67,50 | ▲ +0,3% |
| Cascavel – PR | R$ 72,00 | ▲ +0,5% |
| Londrina – PR | R$ 71,00 | ▼ −0,2% |
| Rio Verde – GO | R$ 66,50 | ▲ +0,1% |
| Uberlândia – MG | R$ 69,00 | ▲ +0,4% |
A safrinha como protagonista da produção
O Brasil produz milho em duas janelas distintas: a primeira safra (verão) e a segunda safra — a famosa safrinha — plantada após a colheita da soja, entre janeiro e março. A safrinha responde por aproximadamente 75% da produção nacional de milho, o que a torna o fator determinante para o abastecimento do segundo semestre.
A dependência da safrinha é também uma vulnerabilidade climática. Plantada no período de transição entre a estação chuvosa e a seca no Centro-Oeste, a safrinha enfrenta risco de estresse hídrico na fase de enchimento de grãos — especialmente quando o plantio atrasa por chuvas excessivas no período da soja.
Calendário da safrinha 2025
- Janela ideal de plantio: 21 de dezembro a 20 de fevereiro — milho plantado dentro dessa janela tem menor risco climático.
- Plantio tardio (risco elevado): após 25 de fevereiro, especialmente no Mato Grosso, o risco de deficit hídrico na fase reprodutiva aumenta significativamente.
- Colheita esperada: junho a agosto, com pico em julho.
Por que o preço do milho está pressionado
O milho enfrenta uma combinação de fatores negativos em 2025: oferta doméstica elevada após duas safras consecutivas acima da média, demanda de exportação menor que o esperado e custos de produção que não caíram na mesma proporção dos preços. O resultado é margem comprimida para a maioria dos produtores.
Do lado da demanda doméstica, o setor de avicultura e suinocultura — principais consumidores de milho para ração — mantém compras estáveis, sem crescimento expressivo que possa sustentar os preços. O etanol de milho, que ganhou relevância nos últimos anos especialmente em Mato Grosso, absorve parte da produção mas ainda representa volume menor que o setor de rações.
O milho barato beneficia o criador de frango e o pecuarista. Para o produtor de grãos, é hora de rever o custo de produção e a estratégia de comercialização.
Exportações de milho: Brasil disputando espaço no mercado global
O Brasil consolidou sua posição como segundo maior exportador mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos. Os principais destinos são Japão, Coreia do Sul, Irã, Vietnam e países do Sudeste Asiático. O diferencial brasileiro é o período de exportação: enquanto os EUA exportam de setembro a dezembro, o Brasil tem forte fluxo de exportação de março a setembro — o que torna os dois países complementares, não apenas concorrentes.
As exportações em 2025 devem seguir em ritmo sólido, com as tradings aproveitando a janela de disponibilidade brasileira para abastecer mercados asiáticos antes do milho americano entrar em disponibilidade. Esse fluxo de exportação é um suporte importante para os preços domésticos no primeiro semestre.
Como o produtor de milho deve se posicionar
Para o produtor de safrinha que ainda não comercializou a produção, a estratégia mais racional é evitar concentrar vendas no período de colheita — julho a agosto — quando a oferta é máxima e os preços tendem a ser menores. Armazenar o grão e vender ao longo do segundo semestre, quando a oferta doméstica começa a cair, é uma alternativa que historicamente adiciona entre R$ 5 e R$ 12/sc ao preço recebido.
Para quem está decidindo sobre o plantio da próxima safra, o cálculo de viabilidade com os preços atuais é fundamental. Com o custo de produção médio da safrinha no Centro-Oeste em torno de R$ 58–65/sc, a margem atual é estreita e exige perfeição na execução agronômica para ser lucrativa.