Cotação da soja nas principais praças do Brasil

O preço da soja no Brasil varia conforme a região e a distância dos portos de escoamento. O Mato Grosso, maior estado produtor, historicamente negocia com desconto em relação ao Paraná e Mato Grosso do Sul, que têm logística mais favorável. Abaixo, as cotações de referência para a saca de 60 kg nesta semana:

PraçaPreço (R$/sc 60kg)Variação semanal
Sorriso – MTR$ 138,50▼ −1,2%
Rondonópolis – MTR$ 139,00▼ −0,9%
Cascavel – PRR$ 145,80▲ +0,4%
Passo Fundo – RSR$ 144,20▲ +0,6%
Rio Verde – GOR$ 141,00▼ −0,3%
Barreiras – BAR$ 140,50▲ +0,1%

A diferença entre o Mato Grosso e o Paraná reflete principalmente o custo logístico: transportar a soja por mais de 1.500 km até os portos de Santos ou Paranaguá consome entre R$ 15 e R$ 25 por saca, dependendo do modal utilizado. Produtores que conseguem acesso a terminais fluviais do Corredor Norte reduzem esse custo significativamente.

Por que o preço da soja está onde está

A formação do preço da soja no Brasil é determinada por uma combinação de fatores externos e internos. No plano externo, a cotação da Bolsa de Chicago (CBOT) é o principal termômetro global, influenciada pela produção americana, argentina e brasileira, além da demanda chinesa — maior importadora mundial.

No plano interno, o câmbio tem papel central. Com o dólar acima de R$ 5,80, a commodity se torna mais competitiva para exportação, o que tende a sustentar os preços domésticos. Quando o real se valoriza, o efeito é inverso: as tradings reduzem as ofertas de compra ao produtor.

Fatores que estão pressionando o mercado em 2025

O produtor que vendeu soja antecipada a R$ 155/sc em novembro de 2024 garantiu uma rentabilidade que hoje já não está disponível. Gestão de preço é tão importante quanto gestão agronômica.

Comparação com os últimos anos

Para contextualizar o preço atual, é útil comparar com os ciclos anteriores. Em 2022, no pico das cotações pós-pandemia e com a guerra na Ucrânia turbinando o mercado global de grãos, a soja chegou a ser negociada acima de R$ 195/sc em algumas praças do Paraná. Em 2023, o preço médio recuou para a faixa de R$ 155–165/sc. Em 2024, nova queda levou as cotações para R$ 140–148/sc, e esse patamar se mantém em 2025.

A tendência de médio prazo aponta para preços mais baixos do que os picos de 2022, mas ainda historicamente elevados em relação à década de 2010. Quem produzia soja a R$ 60/sc em 2016 e tem seu custo de produção controlado abaixo de R$ 100/sc está operando com margem positiva mesmo no cenário atual.

Custo de produção: a conta que define tudo

O preço da soja isolado não define se o produtor está ganhando ou perdendo dinheiro. O número relevante é a diferença entre o preço recebido e o custo de produção por saca. A Conab estima o custo médio de produção da soja no Mato Grosso para a safra 2024/25 em R$ 94,50/sc, incluindo todos os custos variáveis e fixos.

Com a soja sendo negociada na faixa de R$ 138–140/sc no Mato Grosso, a margem bruta está em torno de R$ 44–46/sc — o que, para uma produtividade média de 60 sacas por hectare, representa cerca de R$ 2.640/ha. Esse número, porém, pode variar drasticamente com produtividade abaixo da média ou custos de arrendamento elevados.

Principais componentes do custo de produção

O que os analistas projetam para o segundo semestre

O consenso entre analistas de mercado é de que a soja deve permanecer na faixa de R$ 135–148/sc até meados do ano, com possibilidade de recuperação no segundo semestre caso a demanda chinesa se intensifique ou o clima adverso reduza as estimativas de safra americana.

Um fator que pode mudar o jogo é a política comercial dos Estados Unidos. Mudanças nas tarifas de importação americanas afetam o fluxo global de commodities e podem redirecionar compradores para o Brasil, pressionando os preços para cima. Esse cenário geopolítico é imprevisível, mas monitorado de perto pelas tradings.

Como o produtor deve se posicionar agora

Para o produtor que ainda tem soja em estoque ou que está decidindo sobre a comercialização da próxima safra, algumas estratégias são relevantes. A primeira é entender seu ponto de equilíbrio: qual preço mínimo cobre todos os custos e paga o arrendamento. Vender abaixo disso é destruir capital.

A segunda é diversificar o momento de venda. Concentrar toda a venda em um único período aumenta o risco de pegar o pior momento do mercado. Distribuir as vendas ao longo de 6 a 12 meses — parte em períodos de entressafra sul-americana, quando os preços tendem a ser melhores — é uma estratégia comprovada.

A terceira é considerar instrumentos de proteção de preço. O mercado futuro da B3, as opções sobre futuros e os contratos a termo com tradings permitem travar preços mínimos sem abrir mão de potenciais altas. O uso desses instrumentos ainda é baixo entre produtores brasileiros, mas cresce a cada safra.

O produtor que não gerencia preço deixa essa decisão para o mercado — e o mercado não tem compromisso com a rentabilidade de ninguém.

Perspectivas de longo prazo para a soja brasileira

No horizonte de 5 a 10 anos, as perspectivas para a soja brasileira seguem positivas. A demanda global por proteína animal — onde a soja entra como insumo fundamental da ração — cresce com a ascensão da classe média nos países asiáticos. O Brasil detém a maior reserva de terras agricultáveis do mundo e o clima tropical favorável ao cultivo da oleaginosa.

O desafio é competitividade. A melhoria da infraestrutura logística — especialmente as ferrovias e os portos do Corredor Norte, como o de Miritituba no Pará — é determinante para que o produtor brasileiro capture mais valor em vez de transferi-lo para o custo de transporte. Cada real economizado em frete é um real a mais de margem.